A dengue é uma das principais doenças transmitidas por mosquitos no Brasil e em diversos países de clima tropical e subtropical. Todos os anos, milhares de pessoas adoecem, e muitas precisam de internação hospitalar em razão das complicações da infecção. Nos períodos mais quentes e chuvosos, quando há maior circulação do vírus, a prevenção torna-se uma responsabilidade coletiva, envolvendo governos, profissionais de saúde e a população.
Entre as medidas preventivas, o uso do repelente ocupa papel central. Trata-se de uma estratégia simples, acessível e eficaz para reduzir o contato com o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Para que o repelente cumpra sua função, é fundamental conhecer os diferentes tipos disponíveis, escolher o produto adequado e utilizá-lo de forma correta e segura.
Os repelentes podem ser classificados em químicos e de origem natural. Os químicos apresentam maior comprovação científica de eficácia. Destacam-se o DEET, considerado o padrão ouro dos repelentes, com ampla utilização e alta eficácia; a icaridina, que possui bom tempo de proteção, odor mais agradável e menor potencial de irritação; e o IR3535, bastante presente em produtos infantis, com boa tolerabilidade. Já os repelentes naturais utilizam óleos essenciais, como citronela e eucalipto-limão, oferecendo proteção por períodos mais curtos e exigindo reaplicações frequentes, não sendo recomendados como única forma de proteção em áreas de maior risco.
A escolha do repelente deve levar em conta fatores como idade, tempo de exposição, sensibilidade da pele e ambiente. Crianças devem utilizar produtos específicos para sua faixa etária, com concentrações adequadas do princípio ativo. Bebês com menos de seis meses não devem usar repelentes diretamente na pele, sendo indicadas medidas alternativas, como roupas compridas e mosquiteiros. Também é essencial verificar se o produto possui registro na autoridade sanitária e seguir as orientações do fabricante.
O uso correto é tão importante quanto a escolha. O repelente deve ser aplicado apenas sobre a pele exposta, evitando olhos, boca e mucosas. Em crianças, a aplicação deve ser feita sempre por um adulto. A reaplicação deve respeitar o tempo de proteção indicado no rótulo, e o produto deve ser removido da pele ao final do dia. Quando houver necessidade de uso de protetor solar, recomenda-se aplicar primeiro o protetor e, após alguns minutos, o repelente.
Além de proteger individualmente, o uso do repelente contribui para reduzir a circulação do vírus na comunidade. Associado à eliminação de criadouros, o repelente é uma ferramenta essencial para reduzir surtos, internações e óbitos por dengue.

Farmacêutico | CRF 588902






